Xico Sá fala de suas duas paixões durante palestra na Fenelivro

Literatura e futebol permearam conversa em auditório lotado

Por Lucas Felix

Cronista, contista, jornalista e compositor Xico Sá veio ao Recife na última quinta-feira (21) para participar da Feira Nordestina do Livro (Fenelivro), realizada no Centro de Convenções de Pernambuco de 21 a 24 de setembro. Na ocasião, lançou o novo livro, “A Pátria em Sandálias da Humildade”. Nele o autor reuniu as melhores crônicas publicadas na Folha de São Paulo e no El País entre 2005 e 2016.

Xico Sá conversou por aproximadamente duas horas com um auditório cheio composto por um público heterogêneo com pessoas de todas as idades. Com a mediação do jornalista e escritor Evaldo Costa, o cearense falou apaixonadamente sobre futebol e literatura. Durante a conversa, Xico lembrou de Paulo Mendes Campos e Nelson Rodrigues.

O autor lembrou uma citação famosa de Nelson Rodrigues. “Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos.

Para Xico Sá, a crônica futebolística perdeu parte da poesia e emoção que outrora ocupou as páginas dos jornais. Segundo ele, os jornalistas hoje preferem falar das técnicas e táticas de jogo em vez da magia que envolve o futebol.

Ainda durante o bate-papo, Xico resgatou memórias de sua adolescência, quando descobriu Graciliano Ramos e sua escrita crua e seca. Xico relata uma passagem da obra Vidas Secas que o marcou profundamente: “As bichas excomungadas eram a causa da seca. Se pudesse matá-las, a seca se extinguiria. Mexeu-se com violência, carregou a espingarda furiosamente. A mão grossa, cabeluda, cheia de manchas e descascada, tremia sacudindo a vareta.- Pestes. Impossível dar cabo daquela praga. Estirou os olhos pela campina, achou-se isolado. Sozinho num mundo coberto de penas, de aves que iam comê-lo”.

A nova obra de Xico Sá não foi disponibilizada para venda no local. Durante a conversa, o autor comentou que precisou adaptar algumas de suas crônicas para o livro. A exemplo dos diálogos imaginários com o ídolo do futebol Sócrates, o “filósofo da Democracia Corinthiana” com quem conviveu.

Xico também falou sobre seu último romance publicado: Big Jato, que foi adaptado para o cinema com direção de Cláudio de Assis. O livro foi baseado na infância de Xico e cria, a partir de suas memórias, um retrato afetivo de uma juventude passada no Cariri (CE). Estão lá os primeiros encontros com o amor e o rock. As paisagens e as pessoas que ele encontrou. As mudanças nas relações familiares. Um delicado mosaico das descobertas do garoto que enfrenta todas as dificuldades da entrada na vida adulta.

PERFIL – Francisco Reginaldo de Sá Menezes, mais conhecido como Xico Sá, nasceu no Crato, Ceará, em 1962. Começou a carreira de jornalista no Recife, e atuou muitos anos como repórter investigativo. Foi colunista da Folha de São Paulo e comentarista dos programas “Saia Justa” (GNT) e “TV Folha” (Cultura). Hoje escreve uma coluna semanal no jornal EL País, além de participar de diversos programas de TV como “Amor e Sexo” da Rede Globo e Papo de Segunda da GNT. Publicou diversos livros e também compôs músicas com a banda pernambucana Mundo Livre SA e o cantor Otto.

 

 

 

 

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