Babi Dewet

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Babi Dewet iniciou a carreira escrevendo fanfics e lançou o primeiro livro de forma independente. Ela costuma contar que investiu muito nas feiras e chegou a levar uma mala cheia de livros para vender antes de ter o seu espaço em uma grande editora.

É uma escritora jovem, mas já publicou uma trilogia, a “Sábado à noite” e foi convidada a participar de uma coletânea ao lado da Paula Pimenta, Thalita Rebouças e Bruna Vieira no Um ano inesquecível. Escreveu “Um conto de amor e música”, que se passa durante o outono.

É apaixonada por música. Queria ser uma rockstar, mas apostou nos livros. Tem um canal no Youtube sobre kpop e livros e integra a equipe de vídeos do Dramafever.

Apesar de já ter vindo outras vezes ao Recife, participou pela primeira vez de uma feira na capital pernambucana durante a segunda edição da Feira Nordestina do Livro (Fenelivro), no Centro de Convenções de Pernambuco, onde lançou o Sonata em punk rock, da série Cidade da música. Tive o prazer de mediar um bate-papo especial com os leitores e o resumo da nossa conversa você confere abaixo.

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O QUE OS LEITORES PODEM ESPERAR DE SONATA EM PUNK ROCK? Trago a Valentina, bem roqueirona, uma adolescente que tem super preconceito com música clássica. Alguns amigos eram assim e resolvi falar sobre isso. Ela entra pra uma escola de música e lá descobre a importância do clássico na vida dela e na construção da personalidade de muitos dos alunos. Conhece o Kim, um coreano, que é um super pianista, mas que tem déficit de atenção e é introvertido. A série Cidade da Música vai ser uma trilogia, mas os outros livros não serão sobre a Valentina e o Kim. Serão outros personagens que estudam no conservatório.

COMO FOI A SUA INTERAÇÃO COM A PAULA PIMENTA, A THALITA REBOUÇAS E A BRUNA VIEIRA NO LIVRO UM ANO INESQUECÍVEL? Foi a primeira vez que escrevi conto. Gosto de escrever histórias muito grandes. Entrei em pânico por ter que caber uma história em pouco espaço. Mas conversei muito com as outras escritoras. Temos estilos completamente diferentes, o que tornou o processo muito divertido. Já conhecia a Paula Pimenta de muito tempo, Thalita eu era super fã e a Bruna acompanhava o trabalho dela na internet. Então viajar com elas na turnê de divulgação foi maravilhoso.

VAI TER UM ANO INESQUECÍVEL 2? A gente quer muito. Seria bem bacana se tivessem novos personagens.

VERDADE QUE ALGUNS DOS SEUS PERSONAGENS SÃO INSPIRADOS EM AMIGOS? Gosto de me inspirar em pessoas de verdade. Amigos, leitores, pessoas que falam comigo no Twitter. Gosto de homenageá-los porque acredito que quando estão em um livro vivem para sempre. A memória fica ali. Sempre vai ter alguém com o seu livro não importa quantos anos vão se passar. Gosto de colocar personagens “falem” com os leitores. Tragam algum desconforto, carinho, amizade, sejam o mais próximo da realidade possível. Personagens com finais felizes pra sempre e previsíveis não fazem parte do meu estilo. A timeline da vida não é sempre completamente um conto de fadas. A minha estrutura é um pouco diferente. Gosto de histórias de personagens que continuem após o último capítulo. Dou a finalização para a história, mas a vida dos personagens segue após o ponto final.

COMO FOI O PROCESSO DE ADAPTAÇÃO DO SÁBADO À NOITE DA FANFIC PARA UM LIVRO? Fanfic e livro são mídias diferentes. São formas de escrita diferentes. Quando decidi transformar o Sábado à noite em livro comecei tudo do zero. Reescrevi e criei os personagens de novo. Tive que aprender a estrutura literária do livro e ainda hoje é assim. Gosto muito de diálogo.

QUAIS SÃO OS SEUS LIVROS DE CABECEIRA? Tem alguns que são meus preferidos. Um deles é o terceiro livro sobre o Harry Potter. Gosto muito também do primeiro livro de Cidade dos Ossos e o Fazendo meu filme 1, da Paula Pimenta, é o meu xodó dela.

VOCÊ POSTOU SOBRE NIETZSCHE RECENTEMENTE NO INSTAGRAM. Lançaram uma coleção de livros clássicos em mangá. Tenho déficit de atenção. Quando leio um livro com palavras muito difíceis e que seja mais sério fico muito ansiosa. Nunca tinha lido Nietzsche. Então me senti super clássica lendo o livro dele. Ninguém precisa saber que era em mangá.

QUAIS FORAM AS PRINCIPAIS LIÇÕES QUE VOCÊ APRENDEU POR TER SIDO UMA AUTORA INDEPENDENTE? Hoje em dia há muitas plataformas que não existiam. Ficou mais fácil. Tem o Wattpad e o Amazon. Acho muito importante quem começa a carreira de forma independente. Você aprende todos os maneirismos do mercado editorial senão o livro fica ali e ninguém descobre que ele existe. Você aprende os custos do livro, quantas pessoas trabalham para a publicação sair, o preço que a livraria cobra. Por exemplo, a livraria fica com 60% e o autor recebe de 5% a 10%, o resto é da editora, da distribuidora, há muita gente envolvida. Infelizmente a gente não tem faculdade para ser escritor.

COMO É O SEU PROCESSO CRIATIVO? Gosto de escrever de madrugada. Também preciso de uma cadeira confortável por causa da coluna. Começo a escrever sempre pensando em como a história vai terminar senão fico muito perdida. Crio os principais fatos dos capítulos em uma folha de papel. Isso ajuda muito. Além disso, sempre escrevo escutando música, porque me traz muita inspiração.

VOCÊ SE PREOCUPA EM TER UMA POSTURA QUE SIRVA DE REFERÊNCIA AOS SEUS LEITORES JOVENS E ADOLESCENTES? COMO É A SUA INTERAÇÃO COM ELES E OS PAIS? Postura é muito importante. Você tem que tomar cuidado com o que você expõe. Os pais que acompanham o que o adolescente lê estão certíssimos. O jovem ainda está formando a personalidade e a opinião. Se puder ser uma boa influência é maravilhoso. Falar de coisas importantes do dia a dia. É importante sempre pensar se o que vai falar pode magoar alguém e se tem alguma relevância. Isso vale para a vida toda. Pensem duas vezes antes de falar. Se não for algo bacana é melhor ficar calado.

DICAS PARA JOVENS ESCRITORES Confie no seu trabalho. Se não está confiante o suficiente, escreva outra coisa. Esteja aberto a outras críticas, inclusive a ouvir não. Em algum momento vai ouvir um sim. Comecei agora a viver como escritora e eu tenho quase 30 anos. Foram 15 anos escrevendo. Thalita Rebouças tem 40 anos. Conseguiu destaque depois de 15 anos que ninguém dava bola pra ela. Imagina se ela tivesse desistido? Se não foi dessa vez pra você, vai ser da próxima. E demora. Mas quando você batalha muito a felicidade é maior. Não desista. Muitos ficam tentados a desistir no começo. Mesmo que seja um hobby isso pode mudar no futuro e virar uma carreira. Funcionou comigo. Por que não pode funcionar com você?

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